Pedagogia Waldorf

Pedagogia Waldorf no Brasil

Em 1954, os casais Schmidt, Mahle, Berkhout e Bromberg, que se reuniam regularmente para estudar obras pedagógicas de R. Steiner, preocupados com a idéia de qual poderia ser a contribuição da Antroposofia para o Brasil e para um mundo melhor, resolveram fundar nesse país uma escola Waldorf, pois a resposta evidente à sua preocupação era que um mundo melhor pressupõe homens melhores.

Assim, em 27 de Fevereiro de 1956, à Rua Albuquerque Lins, bairro de Higienópolis, em São Paulo, começava a funcionar a primeira Escola Waldorf no Brasil, integrada à realidade brasileira e com a grande tarefa de fundamentar seu trabalho na imagem espiritual do Homem e nos ideais humanos inspiradores das demais escolas da Europa.

Nessa ocasião, Karl e Ida Ulrich, professores na Escola Waldorf de Pforzheim, Alemanha, foram convidados a ser fundadores da escola, o que lhes significou não só lecionar, mas também preparar professores para lecionarem a Pedagogia Waldorf.

A Escola começou com um grupo de jardim de infância e um grupo primário, totalizando 28 alunos. O primário logo foi reconhecido como escola experimental e assim que foram completadas as quatro séries iniciais, o interesse dos pais pela pedagogia levou à decisão de se implantar o ginásio.

Graças à generosidade dos fundadores, a escola foi transferida para uma belíssima propriedade rodeada de bosques e jardins, no Alto da Boa Vista, em Santo Amaro.

Em 1979, o ensino fundamental da Escola Waldorf Rudolf Steiner foi autorizado a funcionar com duração de nove anos e a contar com o acompanhamento do Professor de Classe do primeiro ao oitavo ano. Até então era necessário solicitar equivalência de estudos para os alunos que concluíam o nono ano.

Durante os doze primeiros anos, a escola bilíngüe em português e alemão realizou-se à medida em que a Pedagogia Waldorf foi sendo assimilada por professores brasileiros e em que professores estrangeiros conseguiram se ligar ao espírito do povo brasileiro.

Como crescente interesse dos pais pela continuidade da escola, foi possível, em 1975, a conclusão da primeira classe do segundo grau.

Antes disso, porém, em 1970, atendendo à crescente necessidade de formação e aprimoramento na Pedagogia Waldorf, nasceu o primeiro Seminário de Pedagogia Waldorf no Brasil, fundado pelo casal Rudolf e Mariane Lanz.

Hoje o Seminário se tornou um Centro de Formação de professores que funciona como Escola Normal, autorizado pelo Parecer CEE nº 576/97 e pela Portaria da Dirigente Regional da 17º Delegacia de Ensino da Capital, que possibilitaram a sua instalação e funcionamento.

A Escola Waldorf Rudolf Steiner chegou a tal crescimento que, em 1978, foi fundado o Colégio Micael, em São Paulo, próximo a Cotia.

A partir daí, muitos outros movimentos aconteceram, surgindo então vários jardins de infância e outras escolas no Estado de São Paulo e em outros estados.

Hoje, a Federação das Escolas Waldorf no Brasil congrega um total de 11 escolas de Ensino Fundamental, das quais duas já implantaram o Ensino Médio, completando-se nelas o ciclo de duração de 12 anos propostos por Rudolf Steiner.

Existem hoje cerca de 726 escolas Waldorf no mundo, distribuídas entre os cinco continentes. No Brasil, estima-se que existem em torno de 73 escolas waldorf, conforme dados de 2010 (ver site: http://www.sab.org.br/portal/pedagogiawaldorf/27-pedagogia-waldorf).

No município de Florianópolis já existem quatro escolas com esta proposta pedagógica (a Escola Anabá, o Jardim Escola Cora Coralina, ambos de educação infantil e fundamental e a Casa Amarela e Jardim dos Limões de Educação Infantil) além de outras iniciativas mais recentes na educação infantil.

 

II - Pontos de Vista Antropológicos relativos ao método e à didática do Ensino Infantil

A Pedagogia Waldorf concebe o homem como uma unidade físico-anímico-espiritual e sobre esse princípio fundamenta toda a prática educativa.

A partir de uma visão antropológica, a Pedagogia Waldorf abrange todas as dimensões humanas, que estão em íntima relação com o mundo, explica e fundamenta o desenvolvimento dos seres humanos segundo princípios gerais evolutivos que compreendem etapas de sete anos, denominadas setênios.

Cada setênio apresenta momentos claramente diferenciáveis, nos quais surgem ou despertam interesses, perguntas latentes e necessidades concretas.

No primeiro setênio (zero a sete anos), a criança emprega todas as suas energias para a apropriação e desenvolvimento de seu corpo físico. Ela manifesta toda sua volição através de intensa atividade corporal.

Essa atividade, que desencadeia a formação do físico, metamorfoseia-se em maior ou menor capacidade de atuar com liberdade na vida adulta, no âmbito cultural-intelectual.

Nesta fase a criança tem uma grande abertura em relação ao mundo. Ela acolhe sem resistência anímica tudo o que lhe advém do ambiente em redor, entregando-se ao mundo com CONFIANÇA ilimitada. Vive num estado de ingenuidade paradisíaca, num mundo em que o bem e o mal se confundem indistintamente.

Na criança, todos os órgãos de percepção sensória estão abertos e, a partir de uma intensa atividade em seu interior, ela responde com a repetição dos estímulos vindos do ambiente exterior, a IMITAÇÃO. Essa imitação é a grande força que a criança de primeiro setênio tem disponível para a aprendizagem, inclusive a do falar, do fazer, do adequado ou impróprio no comportamento humano. E é por meio da imitação mais sutil que ela gera, ainda sem consciência, o fundamento da sua moralidade futura.

Nesse período a criança tem muitos amigos. Está aberta a novos contatos, porém as amizades ainda são bastante superficiais, não atingindo efetivamente o outro; são muito mais destinadas a trazer o outro para o seu próprio mundo e brincar.

Durante esse primeiro setênio, a relação mais importante com o mundo exterior transcorre de fora para dentro. Todavia, as experiências adquiridas ainda não são centralizadas no eu, ou seja, no centro de sua consciência.

A Pedagogia Waldorf transcende a mera transmissão de conhecimento e se converte em sustentação do desenvolvimento integral do educando, cuidando que tudo o que se faça tenha como meta, sobretudo, a transformação de sua vontade e o cultivo de sua sensibilidade, das quais pode derivar uma forma de pensar mais flexível, autêntica e responsável. Desse modo, procura-se estabelecer uma relação harmônica entre desenvolvimento e aprendizagem, fazendo confluir a dinâmica interna da pessoa com a ação pedagógica direta, ou seja, integrando os processos de desenvolvimento individual com a aprendizagem da experiência humana culturalmente organizada.

Também dá especial atenção para que no ensino se encontrem entretecidos pontos de vista científicos e estético-artísticos com os aspectos relativos ao respeito profundo e à admiração ante o mundo.

Aprofundando-se nos estudos antropológicos e ampliando-os, Rudolf Steiner compreendeu que os fundamentos para a realização dos ideais humanos de convivência moral-social baseados na liberdade com responsabilidade, fraternidade, respeito mútuo, consciência plena de igualdade de direitos e deveres, desenvolvem-se na criança e no jovem através do cultivo da admiração e da veneração, os quais só podem se dar através de uma religiosidade livre e verdadeira. Respeitando todas as religiões, foi no cristianismo que Rudolf Steiner encontrou caminho para essa religiosidade. Assim, as Escolas Waldorf têm sua pedagogia permeada por valores cristãos livres de qualquer instituição confessional.

Princípios da Pedagogia Waldorf

As Escolas Waldorf no Brasil, comprometidas com o movimento educativo Waldorf mundial e os princípios de Pedagogia Waldorf propostos por Rudolf Steiner, centralizam suas intenções educativas no sentido de: 

Proporcionar a auto-educação como o caminho para a consolidação dos princípios humanos na síntese do pensar, sentir e agir;

Promover o desenvolvimento de seres humanos livres, capazes por eles próprios de dar sentido e direção às suas vidas;

Criar um espaço educacional entendido como o organismo dinâmico, onde se propicie o crescimento pessoal e social para toda a comunidade;

Contribuir para o desenvolvimento gradual da individualidade em sua formação corporal, anímica e espiritual, em equilíbrio harmônico;

Contribuir para a formação do indivíduo dentro de uma proposta educativa de abertura para o mundo, com toda sua diversidade, abertura que possa ser interiorizada e compreendida a partir de perspectivas próprias;

Levar os participantes da comunidade escolar à visão da evolução humana, no seu inter-relacionamento com a natureza e os demais seres humanos, objetivando a consciência do seu ser como sujeito criativo e transformador do mundo;

Oferecer subsídios para que o aluno possa conquistar a sua liberdade espiritual, participando da obra do bem comum, respeitando a Constituição e os Direitos Humanos e cumprindo assim, dignamente, seu papel de cidadão brasileiro;

Propiciar uma educação escolar mais adequada às reais necessidades do desenvolvimento humano na modernidade;

Difundir o conhecimento acumulado – patrimônio cultural – e assumir o compromisso

de atender ao aluno em seus aspectos afetivos e psicomotores;

Desenvolver na criança a base para um pensamento claro e preciso, isento de preconceitos e dogmas, o que leva à liberdade; sentimentos autênticos não massificados e que respeitem os demais, num marco de igualdade de direitos e obrigações, e uma capacidade vigorosa de sustentar responsavelmente a fraternidade na vida econômica do futuro.

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